Sobre SERASA, U2 e o futuro da sua vida


Hoje é impensável gerir uma empresa financeiramente desassociada do relacionamento com pelo menos um banco. Embora sua empresa não exija crédito, pré-pagamento de recebíveis ou pagamento de contas bancárias, a virtualização da moeda exige a abertura de uma conta bancária bancária. O acesso ao sistema financeiro dessa maneira é uma necessidade congênita de qualquer negócio.

A partir da assinatura de uma proposta de abertura de conta bancária, um novo negócio se torna, como o músico Raul Seixas disse, registrado, marcado, avaliado, etiquetado por empresas especializadas em análise de risco de crédito, um setor no Brasil monopolizado pela SERASA, empresa privada controlada pela Experian, um grupo empresarial com sede em Dublin, na Irlanda.

Isso é certo, a partir dos dados de compra e venda, pontualidade e endereço comercial, para o nome, estado civil e dados pessoais dos parceiros (incluindo o nome da mãe!), Estão nas mãos dos empresários estabelecidos nos mais famosos e lucrativos da cidade Pop-rock do mundo, cujo nome ajuda a compor o título deste artigo.

Longe de criticar as habilidades empresariais de artistas e empresários irlandeses, essas linhas se prestam a questionar, além das violações prejudiciais dos direitos humanos, a importância prática de tal instituição no futuro de uma sociedade empresarial e como os poderes públicos brasileiros se comportam Antes deste gigante multinacional, considerado, em virtude da Lei Federal, uma entidade de caráter público.

Agora, a SERASA, como sabemos, não é mais do que o Tribunal Marcial dos bancos brasileiros. Atrasar um pagamento ou desafiar postagens de uma conta corrente custará ao proprietário da empresa como um pagador ruim. A principal função da Serasa é, portanto, coagir o cliente bancário a aceitar passivamente as ilegalidades praticadas pelas instituições financeiras.

É mesmo compreensível que o banqueiro queira mais e mais proteção para suas atividades, que ele vislumbre todos os dias mais lucros e que todos os dias imaginem menos concorrência. É assim que o jogo capitalista é jogado. Inaceitável, no entanto, é a omissão do poder público brasileiro, que lhes permite livremente práticas abusivas.

Não existe um controle rigoroso dos dados mantidos pela SERASA nem quanto à manipulação e ao destino dessa informação. A inserção de dados não segue critérios legais e a consulta pode ser feita por qualquer pessoa, com boa ou má fé, e até mesmo a possibilidade de consulta pré-paga através da contratação virtual pela rede informática mundial. Os irlandeses ainda oferecem, em uma de suas cestas de produtos, os dados cadastrais que possuem, cobrando com a informação confidencial do povo brasileiro e das empresas. (Você entende agora, como essa empresa de telemarketing conseguiu o seu telefone incomodá-lo no jantar?)

E para evitar a prescrição da inserção negativa (a de cinco anos que todos conhecem e aterrorizam os proprietários dos bancos) estão arquivando com o Legislativo o registro positivo infame. Positivo?

É verdade que tudo isso ocorre apenas por falta de organização da comunidade empresarial brasileira ou pela passividade histórica de nossos cidadãos.

É uma batalha hercúlea contra uma instituição que praticamente controla os Poderes Executivos e Legislativos e, a julgar pelas últimas declarações publicadas pelo STJ, parece estar a caminho também influenciar o Poder Judiciário.

Hercúleo, mas não impossível, afinal, não são os bancos que se deslocam para este país! São, acima de tudo, pequenos e médios empresários que, em conjunto, representam cerca de 70% dos empregos formais gerados aqui.

Se você faz sua parte ou não, lembre-se sempre que ouve uma música da trupe de Bono Vox, alguém em sua terra sabe tudo sobre você e sua empresa. E isso definitivamente não é bom para o seu negócio.

Por Rodrigo Pedroso Zarro, sócio da Lei de Proteção Patrimonial Zarro, em um artigo publicado na Revista Federal de outubro de 2010/ Advocacia Uberlândia

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